Por que um blog em 2026?

Vivemos um momento onde tudo parece descartável. Existe um bombardeio de informações e está cada vez mais difícil filtrar algo relevante em uma montanha de conteúdos promovidos para te colocar em uma bolha, instigar discussões e promover o que não é real.

Abandonei as principais redes sociais (leia-se Facebook e Instagram) no início da pandemia de 2020. O Twitter (me recuso a chamar de X), pouco tempo depois, em 2024. Já tinha muita coisa para pensar sobre o futuro, o que estávamos passando e o que seria dali para frente. Meu filho tinha apenas 2 anos, e agora? Na verdade, eu já não curtia muito o mecanismo de funcionamento das redes sociais naquele ponto; hoje em dia, sinto que essa percepção apenas se confirmou.

Apesar de as redes serem centros de informação que podemos usar para acompanhar o que está acontecendo e seguir pessoas, são ambientes cada vez mais tóxicos, com propósitos de propagação de ódio, discussões sem profundidade e uma distância da essência das redes do passado, que eram as comunidades, relacionamento e conexão com pessoas (verdadeiras, não bots). Acho que já não vale a pena estar em um ambiente assim, mesmo que o único propósito seja se atualizar. Os algoritmos das big techs inclusive intensificam estes comportamentos ruins; afinal, é o que (infelizmente) engaja e gera discussão (comentários e [des]curtidas).

Não precisamos entrar no debate de quando começou a inteligência artificial. Mas, para este contexto, vamos focar nos modelos de linguagem natural, alavancados pela OpenAI com o lançamento do ChatGPT a partir de 2022, e atualmente com seus variantes e concorrentes. Também não vamos entrar aqui no debate de como eles treinaram seus modelos — ou vocês acham que todos os dados foram realmente autorizados a serem consumidos para tal fim?

Desde 2016 ou 2017, já se concebia que majoritariamente o conteúdo de toda a internet estava sendo composto por bots, muitos vindos de automações. Se era assim antes da IA, imagina hoje em dia? Temos um mundo onde a maior parte do tráfego, postagens e interações são conteúdos automatizados, reduzindo a verdadeira interação humana. Quem tiver mais curiosidade pode pesquisar depois por “Teoria da Internet Morta” (Dead Internet Theory).

Aí você pode falar: “Ah, mas atualmente temos grandes projetos de redes sociais descentralizadas, livres de algoritmos e mais restritas a contextos ou comunidades/grupos de interesse”, como Mastodon ou Bluesky (nunca usei, mas ouvi falar bem). É verdade, mas deixaremos isso para um segundo momento (post). Além das redes, uma das grandes formas de compartilhar conhecimento é através de fóruns e blogs. Os blogs são uma ótima maneira de ter o nosso próprio cantinho, trazer debates, ideias, projetos, compartilhar alguma iniciativa ou, simplesmente, bater um papo mais ao estilo livre.

E por falar em blog, uma das coisas que mais valorizo neste tipo de conteúdo é a liberdade, a flexibilidade de utilizar qualquer plataforma a seu gosto ou até mesmo embuti-lo em um site pessoal, como nasce este que vos lê. Além disso, a capacidade de disponibilizar um feed RSS (talvez a nova geração nem saiba o que é isso) para os leitores consumirem da forma que quiserem traz uma dinâmica única. Afinal, apesar de eu querer estar fora destes “silos”, meus amigos e colegas ainda estão por lá.

Então, por que um blog em 2026? Muito mais que uma escolha, é uma forma de sair de “silos”, proteger meu conteúdo autoral, promovê-lo da forma que eu quiser, ter liberdade sobre o que posso falar e preservar o que escrevo. Pois, o que você acha que acontece quando uma rede social acaba? E tudo um dia acaba. Além disso, eu poderia pontuar algumas coisas interessantes com as quais compartilho o modo de pensar, como o Guilherme Magalhães Gall em seu blogpost intitulado “Crie a Porra de um Blog”.

Aqui temos uma mudança de lógica no tráfego: quem gera e compartilha o conteúdo sou eu, a partir do meu site, e posto links em outras redes (se quiser) chamando para conhecer meu espaço, e não o inverso. Seu ID de perfil das redes não pode ser o ponto central, você é quem precisa ter a POSSE disso. Com este controle, não importa onde meu site estará hospedado, o que importa é o domínio e o meu controle sobre ele.

Chegando ao fim, o que veremos por aqui? Bem, assim como disse, gostaria de explorar conteúdos técnicos da área de Dados, mas também pretendo trazer inspirações, leituras e o que me der na telha (lembre-se, o espaço é meu!). Talvez inicie e até documente aprendizados com projetos em andamento, mas o mais importante é que, com isso, tenhamos mais um site com conteúdo gerado por um humano.